O próximo presidente do Bonsucesso terá muitos problemas ao assumir tamanha responsabilidade em um clube deficitário. O 'Fanáticos pelo Cesso' recebeu vídeos que demonstram diversas falhas estruturais na sede do clube, na Avenida Teixeira de Castro. Fechado durante os meses mais críticos da pandemia, o conselho administrativo continuou cobrando uma taxa de R$60,00 aos sócios, que procuraram o Blog para reclamar da falta de zelo com uma instituição centenária. O estádio Leônidas da Silva só foi reaberto para receber o elenco, que treinava no local para a disputa da Série B1 do Campeonato Carioca.
10/12/2020
SEDE DO BONSUCESSO SOFRE COM PROBLEMAS ESTRUTURAIS
O próximo presidente do Bonsucesso terá muitos problemas ao assumir tamanha responsabilidade em um clube deficitário. O 'Fanáticos pelo Cesso' recebeu vídeos que demonstram diversas falhas estruturais na sede do clube, na Avenida Teixeira de Castro. Fechado durante os meses mais críticos da pandemia, o conselho administrativo continuou cobrando uma taxa de R$60,00 aos sócios, que procuraram o Blog para reclamar da falta de zelo com uma instituição centenária. O estádio Leônidas da Silva só foi reaberto para receber o elenco, que treinava no local para a disputa da Série B1 do Campeonato Carioca.
09/12/2020
SÓCIOS PEDEM A SUSPENSÃO DAS ELEIÇÕES NO PRÓXIMO SÁBADO
Como descrito no documento abaixo, a filha de Ary Amâncio, Alba Valéria, informou que o dirigente não estava na residência já que tem um quadro de saúde delicado e encontrava-se na casa de outros parentes. De qualquer modo, a citação ficou sob posse de Alba Valéria para entregar ao genitor.
Ciente do tempo curto até as eleições agendadas para o próximo sábado, o advogado Marcelo Santiago, que defende os sócios do Bonsucesso, ingressou com uma petição pedindo validade na citação do presidente Ary Amâncio e solicitou a suspensão do pleito.
"Eles estão se escondendo das citações para dar tempo para as eleições acontecerem", afirmou Marcelo Santiago.
'DEU CANO'
Em outra linha, Jorge Ribeiro Marques agendou uma reunião no escritório de Brazelino Vieira, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, para apaziguar o cenário tenso das eleições. Porém, o então presidente da Assembleia Geral não compareceu. O candidato da oposição tentará encontrá-lo novamente nesta quinta-feira.
O 'Fanáticos pelo Cesso' apurou que Jorge Ribeiro Marques irá apresentar as novas certidões com um recurso, exigindo a participação no pleito, após Brazelino Vieira descartar os documentos no último dia 2, alegando que estavam fora da validade.
Entre uma das contestações está o prazo curto para entrega das declarações já que o edital para as eleições foi publicado no 'Jornal Expresso' no dia 7 de novembro, cinco dias antes do 'deadline' para inscrição das chapas.
A Chapa Azul apresentou a documentação necessária para participar das eleições que poderiam ocorrer três meses atrás, mediante a ordem judicial que tornou Ary Amâncio o último presidente do Bonsucesso até 3 de setembro de 2020.
A ação dos sócios contesta a prorrogação do mandato até 31 de dezembro de 2020, como o blog já trouxe informações anteriormente. Discute-se a viabilidade de acionar a Polícia Civil, caso não considerem a inclusão da oposição nas eleições.
08/12/2020
FERJ CONSIDERA REABRIR PROCESSO DE RECONHECIMENTO DO TÍTULO DO CESSO NA LIGA SUBURBANA DE 1919
Foto: Reprodução Revista Excelsior
A competição que abrangia clubes de zonas menos favorecidas do Rio de Janeiro e contava com equipes como Bonsucesso F.C, Engenho de Dentro A.C, Dois de Junho F.C, Confiança A.C, Cascadura F.C, Mavillis F.C, Dramático de Realengo e C. A. Central acontecia paralelamente a Liga Metropolitana de Desportos Terrestres, que possuía os times que mais tarde seriam considerados grandes do Rio de Janeiro.
Perante um esporte ainda elitista, a LSF seguia na contramão e abraçava os jogadores menos favorecidos no futebol desde 1916. O Bonsucesso chegou à elite da Liga após conquistar a Segunda Divisão em 1918. No ano seguinte, em uma edição extremamente politizada e marcada pela desistência de algumas equipes, como o Engenho de Dentro (era o tricampeão) que perdeu jogadores para o Vasco da Gama, o Rubro-Anil da Leopoldina 'passou o trator' para faturar o caneco. Foram oito vitórias, cinco empates e apenas duas derrotas na campanha.
O 'scratch' do Bonsucesso tinha: Mingote; Alamiro (um dos fundadores do clube) e Sinhô; Mathias, Bacharel e D. Julia; Flávio, Caballero, Doca, Martins e Basilio.
Historiador do clube, George Joaquim Machado já trouxe informações sobre a competição no Blog Fanáticos pelo Cesso através da coluna 'Resgatando a História' em 2010 (confira no link). Em contato novamente com a página, o torcedor demonstra tristeza com a falta de resposta da FERJ.
"Publiquei matérias sobre o cenário preconceituoso do futebol carioca, da conquista do Bonsucesso e a crítica contra a Federação de Futebol do Rio de Janeiro por não reconhecer nosso clube em sua galeria de campeões da primeira divisão. Em 2010, comecei essa campanha pelo reconhecimento de nosso título e em 2011, o presidente José Simões abraçou a causa. O presidente Rubens Lopes nos atendeu gentilmente para receber o ofício do Bonsucesso na sede da entidade. Era um requerimento para que a Federação aceitasse o titulo suburbano como título carioca", frisou George Joaquim que complementou.
"A Federação tinha um link dentro de seu site que organizava por ano um quadro de campeões. E dentro desse quadro havia até o título 'fantasma' de 1912 do Botafogo. Então, se a Federação reconhecia títulos fantasmas de outras equipes, deveria também reconhecer os títulos suburbanos. Rubinho aceitou o ofício e prometeu que seria criada uma comissão para estudar o nosso pedido. Depois desse encontro com o presidente da FERJ, nunca mais se falou no assunto", garantiu o elaborador do requerimento que também é benemérito do clube.
Em entrevista ao jornalista Silvio Barsetti, do Estado de São Paulo, em 2011, o ex-presidente José Simões afirmou que tentaria resgatar a história legítima do clube, documentada em arquivos da época já que o próprio Bonsucesso não tinha subsídios para sustentar o pedido.
"Os troféus estão espalhados, a história, fragmentada. Quero recuperar a memória do clube", disse o ex-dirigente.
Em contato recente, Zeca Simões afirmou que a FERJ até hoje não se posicionou, mas cobra a legitimidade do título estadual.
"Lamentavelmente a FERJ não se posicionou, apesar de nos reunirmos à época com o presidente Rubens Lopes pedindo o reconhecimento do título."
Na entrevista ao Estado de São Paulo, Sassá, meio-campo que carregou a braçadeira de capitão do Rubro-Anil, ficou empolgado com a possibilidade de reconhecimento do título estadual de 1919.
"Já pensou? Se (o título) for confirmado, isso vai nos valorizar. Estaríamos jogando num clube campeão carioca."
Tivemos acesso ao documento do Bonsucesso que foi entregue à FERJ em 25 de abril de 2011. Confira abaixo:
Procurada, a FERJ encaminhou a seguinte nota oficial: "A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro reabrirá o processo de postulação do título de 1919, feito pelo Bonsucesso Futebol Clube, mediante a atualização dos documentos pertinentes."
A entidade só não explicou por qual motivo não houve resposta ao longo de nove anos. Caberá ao novo presidente do clube lutar pelo direito do Bonsucesso. O jornalista Silvio Barsetti recolheu notícias da época para comprovar a veracidade do torneio e a importância dada pelos veículos de comunicação. Veja abaixo:
"No espaçoso e bem tratado ground do primeiro (Cascadura), encontrar-se-ão no próximo domingo, 5 do corrente, em disputa do campeonato da 1ª Divisão da Liga Suburbana de Football, as valorosas equipes dos disciplinados clubes (Cascadura e Bonsucesso)..."
Gazeta de Notícias (03/10/1919)
"Realizou-se no domingo... o jogo de campeonato entre os dois clubes (Dois de Junho x Bonsucesso)... O aspecto da bella praça de sports do Riachuelo era deslumbrante; pois as archibancadas estavam apinhadas de centenas de apreciadores do sport bretão, que applaudiam a cada instante os passes emocionantes dos litigantes... Terminou assim a pugna com um empate de 2 x 2."
Correio da Manhã (11/11/1919)
"Finalizou domingo último o campeonato da Liga Suburbana de Football com a victoria do Bonsucesso, que obteve 21 pontos, tendo derrotado os clubes Modesto, Central, Cascadura, Dois de Junho, Dramático e Mavilles e empatado com o Riachuelo e Confiança e perdido para o Engenho de Dentro no 1.º turno (...). Assim, na próxima sessão do conselho dessa entidade suburbana será proclamado campeão da 1.ª divisão o Bonsucesso FC."
Jornal do Brasil (12/11/1919)
Fonte: Estado de São Paulo
07/12/2020
JUSTIÇA CONVOCA DIRETORIA PARA ESCLARECER PRORROGAÇÃO DE MANDATO E GESTÃO TEMERÁRIA
Em contato, o advogado Marcelo Santiago afirmou que o parecer judicial será fundamental para esclarecer o atual cenário eleitoral do Bonsucesso.
"Apresentamos todas as provas da má gestão ao juiz, ele deu o prazo para manifestação, é algo normal em uma ação desse porte e agora é aguardar a decisão. Não foi um processo fácil para montar. A meu ver, a decisão inicial é bem clara. O desembargador diz que o mandato terminaria no dia 3 de setembro de 2020. Dali para frente, não tem ninguém no mandato, incluindo o senhor Brazelino (Vieira) que era presidente da Assembleia Geral. Ele não tem esse poder assim como os senhores Ary (Amâncio) e Nilton (Bittar)", afirmou.
Marcelo Santiago afirmou que na inicial, os sócios pediram a participação do Ministério Público através do GAEDEST (Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor) para analisar o processo.
"Pedimos a participação do Ministério Público para analisar o procedimento porque há indícios de gestão temerária, que pode gerar sanções penais. O edital de convocação das eleições no dia 12 não teve estrutura amparada por lei para dar validade a ela. Não houve edital para lançamento de candidatura e quem fez a convocação participa da chapa da situação. Isso fere o estatuto do Bonsucesso. Saiu uma decisão recente pelo Brazelino Vieira que cassou a chapa de oposição. Como pode isso? Teria que ter uma junta para organizar às eleições. Acredito que tudo será anulado", concluiu.
O Blog Fanáticos pelo Cesso teve acesso aos autos do processo e os sócios alegam que 'a entrada da sede social, antes considerada umas das mais belas do Rio de Janeiro, hoje está irreconhecível, chegando ao cúmulo de seu escudo estar rasgado e seu hall de entrada com piso de mármore ser usado de estacionamento pelos atuais gestores.' A ação também aponta para a perda do ginásio em leilão judicial que é considerado uma 'perda gigantesca do patrimônio'.
A ação aponta para movimentações judiciais dos réus como o pagamento obrigatório "homologado no processo nº 0072734-82.2016.8.19.0001 em curso na 27ª Vara Cível da Comarca da Capital do Rio de Janeiro onde foi fechado uma transação no valor R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), ou seja, assumindo valores vultosos sem qualquer comprovação de que esse valor realmente for a investido no clube Réu."
O processo ainda aponta que a Chapa Azul, de Jorge Ribeiro Marques, seria a única legalizada para concorrer ao pleito já que foi inscrita em 1º de agosto de 2020. A ação ainda aponta vacância dos cargos após descumprimento de ordem judicial.
Os sócios pediam inicialmente novas eleições em 10 de novembro com a divulgação da lista de associados aptos a votar além de condenar os réus ao pagamento de custas e honorários advocatícios.
Nilton Bittar preferiu não se pronunciar antes de ficar a par do teor do processo. Não conseguimos contato com Ary Amâncio.
05/12/2020
COVID-19: MORRE PINTINHO, PRESIDENTE DO COIRMÃO OLARIA
Pintinho estava no seu sétimo mandato. O presidente iniciou sua trajetória no Azulão em 1955. A morte de Pintinho mexeu com o mundo do futebol. Romário e o técnico Marcelo Cabo além de clubes do Rio de Janeiro prestaram homenagens. O Olaria emitiu nota oficial assim como a FERJ.
"Com extremo pesar, a Federação de Futebol do Estado do Rio comunica o falecimento do presidente do Olaria Atlético Clube, Sr. Augusto Pinto Monteiro, mais conhecido como Pintinho, nessa sexta-feira.
A FERJ se solidariza na dor dos familiares e amigos nesse momento de extrema tristeza para o futebol do Rio de Janeiro."
02/12/2020
ASSEMBLEIA GERAL CONSIDERA CHAPA DE OPOSIÇÃO INELEGÍVEL A 10 DIAS DAS ELEIÇÕES NO BONSUCESSO
Nesta quarta-feira, dia 2, representantes das duas chapas estiveram na sede do clube pela manhã para uma reunião após convocação feita ontem (1) pelo presidente da Assembleia Geral, Brazelino Vieira, que solicitou a presença dos postulantes a diretoria administrativa para a abertura de um envelope.
O teor do documento gerou uma série de especulações na Teixeira de Castro, mas por fim, o resultado era a inelegibilidade da Chapa Azul, de Jorge Ribeiro Marques e André Veras, pelo descumprimento de regras no Estatuto do clube. O Blog Fanáticos pelo Cesso teve acesso ao ofício que diz:
“BRAZELINO VIEIRA ANTUNES, Presidente da Assembleia Geral, do Bonsucesso Futebol Clube, vem através do presente comunicar ao Sr. Jorge Ribeiro Marques, que foi indeferida a participação de sua chapa, em face de ausência da 3º Distribuidor Cível assim como dos vencimentos das certidões.
Tal motivo fere por completo os termos do artigo 93, inciso “G” do nosso estatuto, por conseguinte tornando a Chapa Azul inelegível, nos termos citados
1º Distribuidor Cível 08/08/2020 (início)
1º Distribuidor Criminal 08/08/2020 (inicio)
2º Distribuidor Cível 06/08/2020 (inicio)
2º Distribuidor Criminal 06/08/2020 (inicio)
3º Distribuidor Cível não apresentado
3º Distribuidor Criminal 17/08/2020 (inicio)
4º Distribuidor Cível 07/08/2020 (inicio)
4º Distribuidor Criminal 07/08/2020 (inicio)
1º Ofício interdição e tutela sim
2º Ofício de interdição e tutela sim
Obs: Certidões tem validade de 90 dias, conforme a Consolidação de Normas da Corregedoria do Estado do Rio de Janeiro"
O documentado é assinado por Brazelino Vieira em 23 de novembro de 2020 e só foi aberto pouco mais de uma semana depois, ou seja, a 10 dias das eleições.
O artigo 93 do Estatuto do Bonsucesso citado no ofício informa quais as condições para que alguém concorra ao pleito:
São condições para ser Presidente do Bonsucesso Futebol Clube:
Em contato com o Blog Fanáticos pelo Cesso, o candidato da Chapa Azul, Jorge Ribeiro Marques, afirmou que irá recorrer para participar das eleições:
“A reunião foi para devolver a análise das chapas. Recebi um ofício do Brazelino (Vieira) comunicando que nossa chapa estava desclassificada. Estamos tomando providências ao longo da semana para participarmos do pleito. Apresentei as certidões para as eleições em setembro”, afirmou.
A data das eleições causa um verdadeiro conflito de interpretações no Bonsucesso. Conselheiros alegam que pela ordem judicial, o mandato atual do presidente Ary Amâncio deveria ser válido por três anos a partir do escrutínio em 3 de setembro de 2017.
A Assembleia Geral, entretanto, se apega ao artigo 74-A do Estatuto do Bonsucesso, que informa:
“A Assembleia Geral deve convocar eleições de três em três anos, na primeira quinzena de dezembro, para eleger os presidentes e vice-presidentes, membros efetivos e suplentes dos poderes do clube. Mas, como já informamos, as últimas eleições foram judicializadas e o mandato teria validade somente até o dia 3 de setembro. Portanto, a convocação feita pela Assembleia Geral descumpre a ordem judicial.”
O regimento do Bonsucesso ainda diz que “a Assembleia Geral deve convocar novas eleições para preencher vagas do Conselho Deliberativo, quando seu mínimo atingir o total de 20 conselheiros e os cargos de presidente e vice-presidente dos poderes do clube. Ou em qualquer tempo para preencher vagas ocorridas com vacância dos membros eleitos dos poderes do clube. Ou em qualquer tempo para apreciar matéria referente aos incisos II (alteração do estatuto) e IV (destituir a diretoria administrativa) do artigo anterior (73).”
27/11/2020
EXCLUSIVO: NEY BARRETO CONTA BASTIDORES DA SAÍDA DO BONSUCESSO: "NÃO RECEBI 1 REAL"
Ney Barreto concedeu entrevista exclusiva ao Blog Fanáticos pelo Cesso contando os bastidores da derrocada do clube nas mãos do ex-gestor Bruno Carvalho, que deixou o Bonsuça com dívidas após não cumprir acordos com jogadores e funcionários, que acabaram sendo demitidos no início da competição.
"Fiquei um pouco triste e decepcionado por tudo que aconteceu. Enfrentei o Bonsucesso no ano passado. Foi o clube que tivemos jogos direto pelo acesso. Sabíamos da força do clube mesmo o America bem forte. Quando recebi o convite pelo (Luciano) Portela, fiquei muito feliz. Seria uma oportunidade de trabalhar em uma segunda equipe tradicional e com camisa além de ser uma divisão de acesso, mas as coisas acabaram não saindo como a gente esperava", disse.
Ney Barreto explicou qual foi o projeto apresentado pelo Bonsucesso e quais acordos acabaram não sendo cumpridos até a saída de toda a comissão técnica e jogadores às vésperas do aniversário de 107 da instituição.
"Tinham prometido as melhores condições de trabalho. Nos levaram para fazer a pré-temporada em Pinheiral, então, isso dava uma credibilidade porque sabíamos que era um local com estrutura grande. Inicialmente o planejamento foi bem feito. Conseguimos trazer jogadores importantes sem salários altos, mas que acreditavam naquela montagem de elenco. Era uma grande equipe, entretanto, acabou se deteriorando no meio do processo. Estávamos trabalhando para subir para a 1ª Divisão", afirmou antes de trazer um fato constrangedor já na Teixeira de Castro.
"Voltamos para o Rio de Janeiro, mas já tivemos problema na primeira atividade com a falta de água para hidratação dos jogadores. O treinamento começou atrasado por causa disso. Durante o trabalho, quando fui beber água, percebi que não tinha mais para ninguém. Tive que interromper o treino pelo meio porque não tinha como continuar o trabalho com um Sol forte e sem água. Ali começou a ter uma preocupação maior, mas seguíamos motivados. Quando se aproximou o primeiro mês de trabalho começamos a ficar atentos com os salários já que estavam faltando coisas. Tentamos contratar o Thiago Correa, mas o clube acabou não pagando a transferência e ele foi para o Serra Macaense. Tudo isso foi começando a criar um clima de apreensão. Disputamos quatro jogos. Dos oito pontos obtidos no Estadual, seis foram com a gente."
Ney Barreto explicou que toda a comissão técnica foi demitida e detalhou como foi comunicado que não permaneceria à frente do Bonsucesso.
"Em hora nenhuma eu afirmei que pedi pra sair. Fomos demitidos. Por lei, eu não poderia ser desligado. Eu estava operado (Ney sofreu um acidente em um dia de folga e precisou ser afastado temporariamente). Quando eu ia retornar, fui comunicado que não precisava mais. Na verdade, eu estava impossibilitado de voltar até o dia 2 de janeiro. Mesmo assim, eu iria voltar antes. Fui comunicado pelo supervisor no dia 11 de outubro, por volta de uma hora da tarde, que toda a comissão técnica estava fora dos planos. Sou apenas funcionário. Tive que aceitar, mas é bom que se diga que não recebemos 1 real durante os 45 dias que estivemos lá", frisou.
Longe dos holofotes da elite do futebol carioca, Ney Barreto trouxe a realidade de muitos clubes das divisões inferiores e revelou que o acordo com o Bonsucesso foi 'de boca' com a promessa de colocar as cláusulas no papel durante a disputa da Série B1.
"Tudo foi verbal. Foi dito que logo após iriam ver o contrato. Não assinamos nada, mas temos as publicações do próprio clube além das súmulas dos jogos que comprovam que estávamos empregados. Até na nossa dispensa, isso foi divulgado pela imprensa. Não sei a situação dos jogadores, mas como eles precisam dar entrada na Federação, acredito que seja diferente", disse o ex-treinador que cobrou uma mudança de norma na FERJ.
"É uma falha. Faço parte de um grupo de treinadores, conversamos muito sobre isso. Depois da nossa saída, o clube teve outros quatro técnicos. Não sei se algum deles recebeu, mas eu não recebi nada. Isso também deveria acabar. Para contratar qualquer outro, deveria chegar ao menos em um acordo com aquele que saiu. Isso precisa partir de Sindicatos. Não pode ser isolado. A gente trabalha e quer receber."
Apesar da gestão do futebol pertencer a Bruno Carvalho, dono da H Carvalho, Ney Barreto afirmou que foi contratado pelo Bonsucesso.
"Não conheci o dono da empresa. Fui contratado pelo clube. Fui convidado pelo clube", disse antes de comentar o fatídico WO que o Bonsucesso sofreu logo após a sua saída.
"Eu saí no domingo e tive várias manifestações dos atletas. Eles estavam insatisfeitos com os salários atrasados. O responsável pela H Carvalho chegou a nos comunicar que tudo seria colocado em dia, mas eles decidiram que não entrariam em campo. Não foi solidariedade a mim. Eles não atuaram porque não receberam. Estava indo de mal a pior. É fácil dizer que os jogadores não poderiam fazer isso. O clube pode ficar sem pagar? Os profissionais não podem tomar atitude? Não me pareceu nada orquestrado antes. No jogo seguinte, que corria o risco de um novo WO e sanções, alguns jogadores foram lá e atuaram. Não sei que tipo de acordo foi feito, mas nesse jogo (contra o Artsul), eles não entraram em campo porque não tinham recebido."
O ex-treinador do clube afirmou que nunca existiu contato com o presidente administrativo Ary Amâncio durante o imbróglio financeiro e citou outros dirigentes como responsáveis pela comunicação interna no rubro-anil.
"O nosso interlocutor direto era o Luciano Portela, diretor de futebol, que também foi demitido junto. Nunca falei com o Ary (Amâncio). Falei com o Marcelo Salgado apenas duas vezes. Em uma dessas conversas eu disse que estava preocupado com essa questão salarial. Ele afirmou: 'estamos dando um jeito aqui para acertar tudo'. Foram palavras dele. Quem também aparecia lá era o Nilton Bittar, vice-presidente. Ele dizia que a situação estava difícil. Sempre foi esse papo. Mas, oficialmente ninguém explicou a situação. Eram mais reclamações do que satisfações. O torcedor precisa entender que os jogadores e os membros da comissão técnica não são mercenários. Não existe ninguém que trabalha no futebol sem se dedicar. É preciso dar nome aos bois."
Livre no mercado, Ney Barreto fez projeções para a próxima temporada, mas não descarta um retorno futuro ao Bonsucesso.
"Estou estudando. É um momento complicado no final de ano. Estou fazendo cursos e buscando novos conhecimentos além de lives com diversos profissionais. Quero voltar a trabalhar. Estou esperando um convite. Quem sabe no futuro voltar ao Bonsucesso. Como a coisa aconteceu não foi legal. Esperava ajudar o clube numa retomada. Não posso dizer que fiquei devendo porque o trabalho não aconteceu. Mas, fiquei triste e isso me incomoda. Tínhamos potencial em um clube de tradição. Estou vendo o que pode acontecer."
Esperando novos desafios, o técnico comentou se aprova a nova formatação do Campeonato Carioca que terá 12 clubes em cada divisão.
"Quando recebi o calendário do próximo ano, vi que é uma coisa que poderia ser melhor ajustada. Procuramos o Sindicato dos Atletas já que é um interesse em comum e debatemos se algumas divisões poderiam correr em paralelo para evitar que o jogador saia de um campeonato e dispute outro. Esperamos ter uma conversa também no Sindicato dos Treinadores para levar sugestões à FERJ. Quem sabe a C seja sub-21 e uma melhor distribuição ao longo do ano", finalizou.
26/11/2020
BONSUCESSO FOI PIONEIRO NO FUTEBOL FEMININO E CAMPEÃO INVICTO EM 1983 NO JUVENIL
Foto: Armando Gonçalves/Revista Passarela/ 1984
O futebol feminino surgiu no Brasil em meados da década de 20 no século passado no Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. Longe dos grandes clubes, as mulheres praticavam o esporte mais popular do mundo nas comunidades, porém, sempre houve um preconceito muito grande ao classificar a modalidade como masculina justificando-se pela violência.
Em 1941, o Governo proibiu a atividade para as mulheres sem citar diretamente o futebol. Já na ditadura, em 1965, o regime militar tornou a proibição expressa pelo CND, através da Deliberação nº. 7: “Não é permitida a prática feminina de lutas de qualquer natureza, futebol, futebol de salão, futebol de praia, polo, halterofilismo e beisebol.”
Apenas em 1979, o futebol voltou a ser permitido para as mulheres. Quatro anos depois, em 1983, a modalidade foi regulamentada. A partir de então, elas começavam a escrever uma nova página. No Rio de Janeiro, existiam duas categorias: juvenil (até 18 anos) e adulta (maiores de 18 anos). O Radar, fundado em 1932, era o 'papa-títulos'. O clube com sede em Copacabana faturou todos os torneios estaduais entre 1983, ano da criação, até 1988. Com exceção de um na categoria juvenil...

Da esquerda para a direita, atletas em pé: Pequena, Liana, Vânia, Batata, Osana, Elane, Vera, Karl, Cristina. Agachadas: Suzete, Toy, Gleydi, Miriam, Denise, Rita e Fátima. Foto: Armando Gonçalves/Revista Passarela/ 1984.
Na categoria adulta, o Bonsucesso terminou em 8º. No ano seguinte, em 1984, o clube terminou em terceiro lugar.
Apaixonado pelo futebol feminino, Meirelles acompanha os jogos que são televisionados e se derrete pelo futebol da 'Rainha' Marta.
25/11/2020
BONSUCESSO É GOLEADO PELO SERRANO NO FIM DA SÉRIE B1
Acabou! O Bonsucesso encerrou sua participação na Série B1 sofrendo mais uma goleada. Desta vez, para o Serrano por 4 a 1, no Atílio Marotti, em Petrópolis, pela 9ª rodada da Taça Corcovado. Accioli aos 21 minutos, Adrianinho, aos 47, Pablo, aos 5 do segundo tempo e Nandinho, aos 26 da etapa complementar, fizeram os gols do time da Região Serrana. Juninho descontou para o Rubro-Anil aos 43 minutos do segundo tempo após boa jogada individual.
Em 16 jogos no Estadual, o Bonsucesso somou uma vitória, cinco empates e 10 derrotas. 10 gols marcados e 30 sofridos, aproveitamento de 16%. Como mandante no Joaquim Flores, somou três pontos. Foram quatro derrotas, três empates e nenhuma vitória (14,3%). Já como visitante, foram cinco pontos com uma vitória, dois empates e seis derrotas (18,5%).
Audax, Serrano, Serra Macaense, Rio São Paulo, Olaria, São Gonçalo e Nova Cidade estão rebaixados para a 3ª Divisão no ano que vem.
Confira abaixo os resultados da última rodada:
23/11/2020
FERJ CONFIRMA MANUTENÇÃO DOS REBAIXAMENTOS NA SÉRIE B1
Segundo o site, o presidente do Olaria, Augusto Pinto Monteiro, estaria liderando o movimento e tentando uma aproximação com a alta cúpula da FERJ para buscar um entendimento em meio à crise instaurada nos clubes de menor investimento devido à pandemia.
De acordo com a apuração do site "Futebol do Rio", a sugestão seria adiar o projeto de reformulação das divisões para 2022, evitando assim, o rebaixamento em massa de clubes na atual temporada.
A movimentação interna surge na última semana da fase classificatória da Taça Corcovado, o segundo turno da Série B1. Entretanto, em contato com o diretor de competições da FERJ, Marcelo Vianna descartou voltar atrás e aceitar uma 'virada de mesa'.
"Não existe essa possibilidade. Tudo foi aprovado em Conselho Arbitral e regulamentos são para serem cumpridos. Não tenho conhecimento de movimento. Nenhuma reunião será agendada para tratar do que já foi tratado. Cada série estará com 12 clubes. Normatizará em regulamento único", afirmou com exclusividade ao Fanáticos pelo Cesso.
O Bonsucesso era interessado direto, caso houvesse uma mudança no regulamento. O clube está rebaixado para a B2 de 2021, ou seja, a 4ª Divisão. O Rubro-Anil soma apenas oito pontos na classificação geral e é o penúltimo (16º colocado). Apenas o Campos (com sete pontos) tem uma campanha pior. O time da Teixeira de Castro encerra sua participação melancólica nesta quarta-feira, às 15h, contra o Serrano, em Petrópolis.





























