Luis Gustavo, apelidado de Bicho, ex-jogador do Bonsucesso, foi alvo da terceira fase de ofensiva da Polícia Civil contra envolvidos em esquema de manipulação de resultados em jogos de futebol no Rio e lavagem de dinheiro.
O jogador, que estava na Portuguesa e defendeu o Olaria recentemente, foi surpreendido pelos agentes em sua residência na manhã desta segunda-feira, na Zona Oeste da cidade. Bicho é acusado de ter recebido um cartão amarelo já no final do jogo contra o Nova Iguaçu, pela 6ª rodada do Carioca, para beneficiar terceiros. O jogo terminou 1 a 0 a favor da Lusa.
O jogador foi conduzido à Delegacia para prestar esclarecimentos e materiais foram apreendidos para investigação. As apurações tiveram início em 2024, após denúncia da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), que apontou indícios de fraudes em diversas partidas.
O jogador já tinha sido suspenso preventivamente pela Portuguesa em março. Após ter o nome publicamente divulgado, Luis Gustavo chegou a usar as redes sociais para se defender e negar todas as acusações.
"Nem ia vir aqui, mas há muita mensagem chegando após a matéria que saiu. Quem me conhece está ligado. Tive minha carreira toda limpa e não seria agora que iria fazer essa p***. Tem muita gente aqui no meu Instagram que gosta de mim. Tem gente também que não gosta. Não estou nem aí. F****. Eu não fiz p*** do que estão falando aí. Vão ter que provar. Já está na justiça. O meu bagulho que o meu, tem um monte de jogadores sendo investigado. Eu não tenho culpa que vagabundo apostou em mim. Todo mundo está ligado no meu jeito de jogar. Sempre foi assim mesmo. Baixo a madeira ainda mais quando pego esses pontas rápidos. Eu não fiz p*** do que estão falando aí. Tem um monte de jogador que teve o mesmo caso que o meu e não foi afastado. Quem é um pouco inteligente vai saber o que está acontecendo. Já me f*** lá atrás e agora a mesma coisa. Não vou falar o nome de ninguém. Tenho minha vida, parceiro. Se não for pelo futebol, corro atrás com outra coisa. Eu sou correria. Tem uns caras que são influentes e inteligentes. Eu não. Sou burro pra c***. Me f*** mesmo, mas tem gente inteligente manipulando outras pessoas. Deus conhece meu coração e estou em paz. Vou até tomar meu gelo agora. Bebi o dia todo, acordei agora com um monte de mensagem. Vou beber de novo. Eu bebo, fumo, mas dentro de campo eu corro pra c***. Tomar no c***", disse o jogador de 36 anos.
Luis Gustavo era um nome cotado para voltar ao time do Bonsucesso para a disputa da Série A2 do Carioca. No total, ele disputou 24 jogos pelo Rubro-Anil, com um gol e duas assistências em três passagens pelo clube em 2015, 2024 e 2025.
Sidney Pages, ex-Nova Iguaçu e atualmente no Dibrados FC, equipe amadora da Kings League, também é investigado, e foi alvo da operação pela manhã. Ele é suspeito de participar da chamada 'microapostas', em que os ganhos são obtidos a partir de ocorrências pontuais, como cartões, faltas e escanteios.
As investigações continuam para identificar todos os envolvidos no esquema criminoso, aprofundar a apuração sobre a atuação de cada um e reunir novos elementos que corroborem a responsabilização de todos.
Em junho, Luiz Gustavo e Sidney Pages já tinham sido punidos pelo TJD-RJ com 365 dias de suspensão por envolvimento em fraude esportiva. Eles foram julgados pela 6ª Comissão Disciplinar, baseado nos relatórios da SportRadar, que monitora possíveis irregularidades nos jogos do Rio de Janeiro.
O jogo entre Portuguesa x Nova Iguaçu ocorreu no dia 7 de fevereiro, com o montante de aposta no valor de R$ 253 mil. 80% desse valor foi direcionado à aposta que gerou o relatório de alerta pela empresa de monitoramento.
Durante o julgamento, o advogados dos atletas, Vivaldo Lúcio Neto, pediu absolvição dos atletas por falta de inquérito policial para comprovar os fatos:
"Não há provas concretas para afirmar que praticaram crimes. Estamos no mundo da especulação. Acusações são feitas diariamente, sem pé e nem cabeça, a grosso modo, sem presunção de inocência. Peço absolvição por falta de justa causa e falta de inquérito policial para averiguar a veracidade dos fatos."
Por unanimidade, Sidney e Luiz Gustavo foram condenados a pena de um ano sem jogar futebol profissionalmente. Eles ainda receberam multa de R$1 mil. O presidente da Portuguesa, Marcelo Barros, e o coordenador do clube, Jefferson Rodrigues Muniz, foram condenados a pagar R$ 5 mil, cada, por obstrução ou não cooperação com a apuração dos fatos. Cabe recurso ao Pleno do tribunal.
A Portuguesa se manifestou pela manhã e afirmou que Luiz Gustavo foi 'desligado da instituição em fevereiro deste ano, logo após a diretoria tomar conhecimento da existência das investigações em andamento.'
Em nota, o clube da Ilha do Governador afirmou que 'em razão do processo tramitar sob segredo de Justiça, a Portuguesa optou por não se manifestar publicamente, preservando o sigilo legal e respeitando o trabalho das autoridades competentes. Assim que as investigações se tornaram públicas, em março, a Associação Atlética Portuguesa divulgou nota oficial informando o afastamento e o posterior desligamento do atleta, bem como esclarecendo que havia adotado imediatamente todas as medidas cabíveis e colocado o clube à disposição das autoridades para colaborar integralmente com as investigações'. Confira a nota abaixo:
A Associação Atlética Portuguesa vem a público esclarecer informações divulgadas em reportagens publicadas nesta segunda-feira (6), nas quais Luiz Gustavo Lopes dos Santos é identificado como atleta da Portuguesa.
O clube esclarece que o referido jogador não possui qualquer vínculo com a Associação Atlética Portuguesa, tendo sido desligado da instituição em fevereiro deste ano, logo após a diretoria tomar conhecimento da existência das investigações em andamento.
Na ocasião, em razão do processo tramitar sob segredo de Justiça, a Portuguesa optou por não se manifestar publicamente, preservando o sigilo legal e respeitando o trabalho das autoridades competentes.
Assim que as investigações se tornaram públicas, em março, a Associação Atlética Portuguesa divulgou nota oficial informando o afastamento e o posterior desligamento do atleta, bem como esclarecendo que havia adotado imediatamente todas as medidas cabíveis e colocado o clube à disposição das autoridades para colaborar integralmente com as investigações.
A Associação Atlética Portuguesa reafirma que sempre atuou com responsabilidade, transparência, ética e respeito às instituições, colaborando desde o primeiro momento com os órgãos competentes e adotando, internamente, todas as providências que lhe cabiam.
O clube reitera seu compromisso com a integridade esportiva, o cumprimento das leis e a defesa dos valores que norteiam sua história, permanecendo à disposição para quaisquer esclarecimentos.
Associação Atlética Portuguesa

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