O primeiro dia de Copa do Mundo terminou de forma triste com o falecimento de Brito, tricampeão pela Seleção Brasileira em 1970. O ex-zagueiro morreu aos 86 anos por complicações de uma pneumonia. Ele estava internado desde o dia 14 de maio no Hospital Casa, no Tauá, na Ilha do Governador, bairro onde morou grande parte da vida.
O ex-jogador teve uma melhora significativa no início da semana, mas o quadro se agravou rapidamente e ele não resistiu nas últimas horas. O velório ocorrerá neste sábado, às 11h, no Cemitério do Cacuia. O sepultamento será no período da tarde, às 15h30.
Brito foi titular em todos os jogos da Seleção Brasileira no México - sem ser substituído em nenhuma partida - e era elogiado pelo ótimo vigor físico. Ao seu lado esteve Piazza, na dupla defensiva mais consagrada de todas as Copas.
Foram oito anos (de 1964 a 72) vestindo a Amarelinha, disputando 61 jogos, com 45 vitórias, 11 empates e cinco derrotas. Além do tricampeonato mundial, ganhou a Copa Roca (1971) e a Taça Independência (1972).
A CBF lamentou a morte do ex-jogador e emitiu nota de pesar com declaração do presidente Samir Xaud:
“Brito nos deixou como um dos grandes zagueiros da história do futebol brasileiro. Sua contribuição para o tricampeonato mundial na Copa de 70 será eternamente lembrada por todos nós. Presto minha reverência a este ídolo do nosso país. Que sua raça seja uma inspiração para nossos jogadores que disputarão a Copa”, disse.
Nascido em 9 de agosto de 1939, o ex-zagueiro ganhou o nome de Hércules por ter nascido com incríveis cinco quilos. Tão forte que era, Brito foi considerado o jogador com o melhor preparo físico, segundo a OMS. Há também uma história sempre contada que ele chegou a quebrar um aparelho de academia durante a preparação para a Copa do Mundo devido sua força excessiva.
Brito iniciou seus passos no futebol no pequeno time amador chamado Fleixeiras, em Tubiacanga. De lá, foi para a base do Vasco da Gama, seu clube de coração. Na chegada aos profissionais em 1957, ele teve dificuldades para superar o campeão Bellini e Orlando Peçanha na preferência da dupla de zaga. Assim, foi emprestado ao Internacional por um ano. Em 1959, já sem a presença do capitão de 1958 em São Januário, Brito se consolidou como titular.
Ele jogou por 10 anos consecutivos pelo Gigante da Colina e somou 405 jogos, com 11 gols. Foi campeão do Torneio de Paris de 1957, Taça Guanabara, em 1965 e o Rio-São Paulo, em 1966.
Depois do sucesso no Vasco, teve uma breve passagem pelo Flamengo até chegar ao Cruzeiro. Foi na Raposa que ele foi campeão mundial em 1970 após ter representado o Vasco em 1966 na Inglaterra. O zagueiro ainda vestiu a camisa do Botafogo, Corinthians, Athletico, Montreal Castors, Deportivo Galícia, Democrata-GV e River-PI.
Em 1971, em clássico entre Botafogo e Vasco, o Brito era zagueiro botafoguense e deu um soco no árbitro José Aldo Pereira, após a marcação de um pênalti contra o Botafogo. Pela agressão, levou um ano de suspensão.
Brito era brincalhão e um verdadeiro boêmio na Ilha do Governador. Em artigo da Revista Placar, a matéria aponta que 'durante a Copa de 1970, telefonava para seu cachorro, e se divertia ao ouvir os latidos do melhor amigo. Distraído, perdeu a hora do próprio casamento... Apreciador de uma cachacinha e apaixonado pelas escolas de samba, preferia gozar de seus pequenos prazeres a levar a sério a profissão”, escreveu o repórter Telmo Zanini, autor do perfil.'
Brito se tornou o sétimo atleta do tricampeonato que veio a falecer. Foram eles: Félix, Carlos Alberto, Everaldo, Joel Camargo, Pelé e Fontana, companheiro de zaga no Vasco, que faleceu em 1980, com apenas 39 anos, vítima de um infarto. O técnico Zagallo também morreu, em janeiro de 2024.
Ao fim da carreira como jogador, Brito se aventurou como técnico de futebol e foi campeão no Bonsucesso em 1981. No ano anterior, entrou em vigor no país a Deliberação n° 1/80 do Conselho Nacional de Desportos (CND).
Depois da fusão das federações carioca e fluminense, logo após a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, a nova federação organiza o campeonato de 1980 sob o novo regimento. Assim, o Bonsuça parou na Segundona sob o comando de Brito. Com uma campanha impecável, o Rubro-Anil voltaria à elite ao lado da Portuguesa, vice-campeã. Disputaram a competição: Bonsucesso: Friburguense, Goytacaz, Associação Desportista de Niterói, Portuguesa e São Cristóvão.
Em 10 jogos, o Bonsucesso obteve seis vitórias, três empates e apenas uma derrota. Foram cinco vitórias seguidas. O time base tinha: Marcelo; Almir, Hélio, Roberto e Jorge Galvão; Toninho, Carlos Alberto e Ataíde; Luis Carlos, Jorginho e Édson.
CONFIRA ABAIXO ALGUNS TÍTULOS E PREMIAÇÕES DE BRITO COMO JOGADOR E TÉCNICO
Vasco da Gama
Torneio Internacional de Paris: 1957
Torneio Internacional de Paris: 1957
Troféu Teresa Herrera: 1957
Torneio Rio-São Paulo: 1966
Torneio Pentagonal do México: 1963
Taça Guanabara: 1965
Torneio Internacional do Quarto Centenário do Rio de Janeiro: 1965
Torneio Internacional de Santiago: 1963
Taça Cidade de Belém: 1964
Troféu Cinquentenário da Federação Pernambucana: 1965
Taça Estadual Rivadavia Corrêa Meyer: 1967
Cruzeiro
Torneio Internacional de Caracas: 1970
Botafogo
Taça Independência do Brasil: 1971
Cruzeiro
Torneio Internacional de Caracas: 1970
Botafogo
Taça Independência do Brasil: 1971
Troféu Embaixador Negrão de Lima: 1971
Taça Chagas Freitas: 1971
Troféu General Ernesto Geisel: 1973
Seleção Brasileira
Copa do Mundo: 1970
Seleção Brasileira
Copa do Mundo: 1970
Copa Roca: 1971
Taça Independência: 1972
Bonsucesso - Técnico
Carioca 2ª Divisão: 1981
Prêmios Individuais
Bola de Prata (Placar): 1970
Bonsucesso - Técnico
Carioca 2ª Divisão: 1981
Prêmios Individuais
Bola de Prata (Placar): 1970
Na Seleção do Campeonato Brasileiro de 1970.
Eleito o atleta com o melhor preparo físico da Copa do Mundo FIFA de 1970












