segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

PRESIDENTE ZECA SIMÕES AFIRMA: "NOSSO TÍTULO SERÁ O 14º LUGAR"


Na Leopoldina, em cada esquina, quem domina é o Bonsucesso. O trecho do hino não mente: a verdadeira fortaleza do Rubro-Anil está em Teixeira de Castro, no Leônidas da Silva. E liberar o estádio para o Campeonato Carioca 2014 foi um dos grandes desafios para Zeca Simões. Com o dever cumprido, o presidente recebeu a equipe do FutRio para uma entrevista exclusiva. O assunto era o planejamento para o Estadual, mas o bate-papo acabou tomando outras proporções.

Sorridente, empolgado e sempre confiante, Zeca, que está em seu terceiro mandato no Rubro-Anil da Leopoldina, quer resgatar a tradição de formador ao clube que revelou “um jogador sensacional”: Leônidas da Silva, o maioral. Além disso, prevê um Campeonato Carioca equilibrado e diz que o 14º lugar seria um verdadeiro título para o Bonsuça, que da última vez que esteve na elite não conseguiu completar o segundo ano. Além disso, Simões contou os principais desafios de formar uma equipe com poucos recursos.

- O Bonsucesso é isso. Cria problemas com a família, reclamação dos filhos e pouca gente ajudando. Não sou empresário de jogador, nunca vendi ninguém e nunca comprei ninguém. Minha atitude é desportista. Afina, o clube não é meu, é uma comunidade. Posso errar e pecar em algumas coisas, mas jamais com a intenção de tirar proveito. E assim vou mantendo vivo o nosso sonho – conta Zeca.

Outro grande desafio é manter as finanças em dia. Segundo o presidente, o salário dos funcionários está sendo pago, mas ainda há atrasos com os jogadores, o que é considerado “normal” devido ao recurso quase inexistente para a disputa da Série B. Despesas com laudo e reforma de estádios também foram citadas por Zeca Simões, que se mostrou aliviado com a confirmação dos jogos para o Leônidas da Silva.
Confira a entrevista completa:

FutRio: Como é trabalhar em um clube sem ter com o que investir?

Zeca Simões: É difícil. Não sei explicar. Eu vivo de uma empresa, que é uma farmácia de manipulação, e tenho algumas lojas alugadas. Mas, para o clube, fica realmente difícil não ter um patrocínio e seguir funcionando. Os salários dos empregados estão em dia. Com relação aos jogadores sempre temos dificuldades, mas a maioria entende. Falta pouco para zerarmos a Copa Rio de 2013. Não são valores exorbitantes, mas coisa de R$ 20 mil. Vamos conseguir.

FutRio: Muito dinheiro sai e quase nada entra. Como é administrar assim? E como está o planejamento para um ano de Série A?

Zeca Simões: Administrar sem recurso é difícil. Nós só alongamos as dívidas. Para 2014 planejamos cinco meses de folha de pagamento, alimentação, material esportivo… Não tem mágica. Se não tiver a cota de TV, que a Federação ainda ganha uma parte em cima do nosso, não dá pra manter o clube funcionando. Para esse Carioca, fechamos com a RioPax, estamos aguardando mais algumas empresas e vamos tentar chegar nesse orçamento que foi pensado.

FutRio: Qual o motivo de não haver investimento? Crê que alguma empresa em específico deveria ajudar?

Zeca Simões: Lamento muito é a Prefeitura não ajudar. Disputamos mirim, pré-mirim, infantil, juvenil e juniores. De 12 a 19 anos. Quantas crianças não estamos tirando das ruas? Elas deixam de estarem envolvidas com o que não devem. Fazemos muito para o nosso município, que não nos retorna em nada. Pelo contrário. Em época de campanha, ainda pedem o salão para fazer reuniões. E a gente cede. O Bonsucesso fica entre a Maré e o Complexo do Alemão. Mas o poder público não enxerga como deveria.

FutRio: em meio a tantas dificuldades, o que ainda o motiva a seguir dirigente?

Zeca Simões: Só a emoção e a paixão. Tenho a minha vida de garoto dentro do bairro e fui criado dentro do clube. É isso que ainda me motiva. Vou procurando ajudar, até chegar algum outro, para não deixar apagar. Teixeira de Castro está confinado a acabar ali. Não tem jeito. Não tem para onde progredir. O bairro cresceu muito e sufocou o clube. Mais cedo ou mais tarde, não vai ser comigo, alguém vai chegar e planejar pra sair dali. Nossa área vale uns R$ 50 milhões. Mas se vender ganha descrédito. Penso de forma totalmente diferente, não tenho interesse em me beneficiar, ao contrário de muitas pessoas. Acho que sou o último bobo. E assim vou seguindo e administrando o clube.

FutRio: Essas pessoas citadas estariam atrapalhando a sobrevivência dos clubes tradicionais?

Zeca Simões: Não sei se é bem isso. Pra mim, o grande culpado é o Dr. Eduardo Vianna, quando interiorizou o futebol. Prejudicou muito os clubes da capital. O Bonsucesso ficou 18 anos na Segunda. Ele achava que o interior era muito forte, queria valorizar. Só que no que valorizou um, desvalorizou o outro. E hoje, qual é o clube forte do interior? Portuguesa, Bonsucesso, Olaria, Madureira, seguem aí até hoje. Já os outros…
 
FutRio: Então qual seria a solução para isso?

Zeca Simões: Os clubes menores têm que voltar a ser o que eram: celeiro de craques para os grandes. O Ronaldo saiu do São Cristóvão. Alguém foi ver ele jogar? Vagner Love, no Campo Grande. Ninguém olha. O Bonsucesso hoje tem um lateral que pra mim é o melhor do Rio de Janeiro, que é o Marlon. Ninguém olha. Ele até recusou uma proposta dos juniores do Fluminense, apenas. Fiquei até feliz. Mas eles não têm visão!

FutRio: Falando no Marlon, como está o Bonsucesso em 2014?

Zeca Simões: Eu estou muito empolgado. Nosso treinador é muito competente e formamos um time com condições de competir. Vários garotos com experiência em times grandes e um grande goleiro que repatriamos, o Rodrigo, que foi o melhor da Série B em 2010 conosco. A confiança está em alta.

FutRio: Jogar em casa vai fazer diferença?

Zeca Simões: Claro! Temos o laudo e fizemos tudo o que a Federação pediu. Em 2011, um mês antes, o meu amigo Rubens Lopes, presidente da Federação, já tinha declarado que o Bonsucesso não ia jogar em casa. E nós estávamos fazendo as obras. Gastamos R$ 120 mil na reforma do campo e do estádio e nada. Me surpreendi. Não conseguimos. E por causa de um ponto, mesmo jogando todos os jogos fora de casa, acabamos rebaixados. Nesse ano será diferente.

FutRio: Por que essa dificuldade de conseguir tantos laudos?

Zeca Simões: As obras são caras. E são muitas exigências. Depois dos desastres em casas de shows que aconteceram no país, não sou contra. Agora, às vezes eu penso: o Bonsucesso está instalado há anos, como vai pegar fogo em uma arquibancada daquela? Não sei… Mas, temos que nos precaver para não sermos responsabilizados judicialmente por nada.

FutRio: Pra finalizar, o que o torcedor rubro-anil pode esperar do Bonsucesso na temporada de 2014, a primeira pós-centenário?

Zeca Simões: Só tenho a dizer o seguinte: o Bonsucesso vai fazer um belo campeonato! O time deu liga, está unido… Acredito que em 2014 o Bonsucesso vai ter sucesso. Seremos campeões com o 14º lugar (risos). 

Fonte: Futrio.net

2 comentários:

Herman disse...

É isso aí, presidente. Primeira divisão sempre.

Anônimo disse...

Fundamental para o clube a manutenção da primeira divisão. A garantia de cota de televisão para o ano seguinte, e a maior visibilidades para eventuais empresas patrocionadoras, poderão dar um mínimo de tranquilidade para o planejamento do ano que vem. Além disso, o Leão precisa se reacostumar a ser um time da primeira divisão carioca, se conseguir se manter uns tres anos seguidos creio que isso vai dar tranquilidade financeira para ir implementando melhoras contínuas no clube e no time.