A torcida rubro-anil se despediu essa semana do ex-jogador Henrique, com passagem pelo Bonsucesso na década de 90 e que defendeu por anos o Vasco, onde foi multicampeão e marcou o gol da vitória que salvou o clube do rebaixamento em 2004 no Brasileirão.
O ex-zagueiro faleceu na última quarta-feira, aos 49 anos, vítima de um infarto. Henrique vivia uma fase debilitada de saúde por conta de lúpus, doença inflamatória crônica de origem autoimune, na qual o sistema de defesa do organismo desregula e passa a atacar os próprios tecidos e órgãos saudáveis.
Além disso, o ídolo do Vasco também atravessava um problema cardíaco e tinha agendado um cateterismo às 10h da manhã, porém horas antes morreu (por volta das 6h). Henrique ainda teve um quadro de pneumonia dias antes, que prejudicou sua recuperação e o fez ser internado.
Além disso, o ídolo do Vasco também atravessava um problema cardíaco e tinha agendado um cateterismo às 10h da manhã, porém horas antes morreu (por volta das 6h). Henrique ainda teve um quadro de pneumonia dias antes, que prejudicou sua recuperação e o fez ser internado.
"Ele era um cara adorado por todos e fez uma carreira brilhante. Ele ajudava todo mundo. Quando estava no auge da carreira no Vasco, tratava todos igual. Ontem, o sepultamento estava lotado com a presença de ex-companheiros como Mauro Galvão e Fabrício Carvalho além da nossa equipe de Master. Ele não estava jogando conosco por conta do problema de saúde, mas estava sempre presente nos jogos. Estão sendo dias de tristeza. Pensamos em adiar a partida, ele sempre dizia que não podia jogar, mas estava conosco no grupo de Whatsapp e presencialmente, e assim, resolvemos manter a partida com um minuto de silêncio e prestar uma linda homenagem ao Henrique", disse Vinicius Soares, capitão do Master do Bonsucesso, se referindo ao amistoso com o Madureira, neste domingo, na Teixeira de Castro, às 10h.
No Bonsucesso, Henrique era chamado de Léo por ter o nome composto (Leonardo Henrique). Ao lado de Vinicius, Henrique defendeu o Leão da Leopoldina de 1990 a 1996, quando foi observado pelo Vasco em um amistoso entre os profissionais e se transferiu para São Januário em definitivo em acordo financeiro entre os clubes. Naquela oportunidade, o Rubro-Anil era comandado por Jairzinho, o 'Furacão da Copa de 1970'. Inicialmente, o zagueiro foi incorporado ao sub-20, mas em pouco tempo foi integrado ao time principal.
Entre 1998 a 2001, Henrique conquistou a Taça Libertadores da América de 1998, a Mercosul de 2000 e o Brasileirão de 2000.
Henrique deixou o Vasco em 2003 para uma rápida passagem pelo Litex Lovech, da Bulgária, e retornou ao Cruzmaltino em seguida. Permaneceu no Gigante da Colina até 2004, quando escreveu de vez o seu nome na história do clube com o gol que evitou o rebaixamento para a Série B. Pela penúltima rodada do Brasileirão, ele foi o autor do único gol diante do líder Atlético-PR. O resultado positivo era primordial para não chegar a última rodada com chances de descenso. Aquele placar foi o suficiente para o Santos assumir a ponta e conquistar o título.
O ex-zagueiro deixou o campo de São Januário respondendo as declarações dos paranaenses, que diziam que iriam conquistar o título no Rio de Janeiro sobre o Vasco:
"Disseram que o Atlético comprou o champanhe para dar a volta olímpica aqui. Aqui eu duvido dar a volta olímpico. Foi um gol feito com muita raiva", afirmou.
Henrique ainda defendeu clubes tradicionais no país como Atlético-MG, Fluminense, Portuguesa-RJ, Madureira, Vila Nova, Goiás, Náutico e encerrou a carreira pelo America-RJ. No geral, foram 239 jogos oficiais e 13 gols marcados, segundo o site 'O Gol'.
AMIZADE, BENFEITORIA E LEGADO
Vinicius Soares revelou que eles eram muito próximos e se falavam quase que diariamente. Inclusive, o filho de Henrique é hoje companheiro de trabalho de Vinicius no Aeroporto Internacional do Galeão.
"Nossos pais iam juntos aos jogos, compravam passagens e dividiam gasolina para os deslocamentos. Sempre cobrei que ele pudesse jogar conosco no Master. Ele teve problema de LCA (ligamento cruzamento anterior) e precisava fazer reforço muscular, mas nunca fazia. Ele participava sempre das nossas resenhas. Éramos muito amigos. O filho dele trabalha comigo no Aeroporto há um ano e pouco. Ele (Henrique) tinha me pedido para dar um direcionamento a ele. Fui um dos primeiros a saber do falecimento do Henrique. Foi uma pancada", revelou.
Henrique também estava à frente de uma ação social para conseguir camisas dos grandes clubes do Rio para uma rifa que pudesse ajudar financeiramente um ex-companheiro de base, que atravessa problemas pessoais. Em um dos registros, o ex-jogador apareceu com uma camisa autografada por Bruno Henrique, atacante do Flamengo, e já tinha a confirmação que o goleiro Fábio, do Fluminense, também iria ajudar na ação.
"Essa foto foi dois dias antes da internação dele. Ele fazia isso direto. Ele me ligava, sabe que gosto de ajudar também, e ajudávamos sempre que preciso. Quando jogávamos juntos, dávamos camisas sempre para as pessoas. Só vamos entender, quando chegarmos do outro lado. Enquanto isso, vamos cumprindo nossa missão aqui, procurando fazer o bem e ajudar o próximo", disse Vinicius.
O capitão do Master do Bonsucesso também revelou que esteve com Henrique no fim de 2025 na Teixeira de Castro para uma visita e um encontro com Cláudio Menezes, um dos dirigentes mais antigos do clube.
"Estivemos no clube, ficamos mais de duas horas conversando sobre nossas carreiras. Sempre nos encontrávamos quando era possível mesmo não jogando mais juntos. Foi um registro que tiramos nesse encontro no Bonsucesso", finalizou.
O Bonsucesso registrou o falecimento do jogador nas redes sociais assim como o Vasco da Gama, que emitiu comunicado na última quarta-feira para lamentar o falecimento do ídolo Henrique:
"É com o mais profundo pesar que recebemos a notícia do falecimento do ex-zagueiro e #CriaDaColina Henrique, aos 49 anos.
Leonardo Henrique Peixoto dos Santos subiu ao profissional do Gigante da Colina em 1998 e integrou o elenco até 2004, participando dos títulos da Libertadores de 98, da Mercosul de 2000 e do Brasileirão de 2000.
Desejamos força aos familiares e amigos Descanse em paz, Henrique."
