terça-feira, 1 de julho de 2008

REPORTAGEM DO GLOBOESPORTE SOBRE O RUBRO-ANIL

Famoso na década de 1930 por abrigar o alçapão da Avenida Teixeira de Castro, o Bonsucesso não mede mais aquele medo de outrora. Ou melhor, entrou para o imaginário dos torcedores que moram na região da Leopoldina (Zona Norte do Rio), mas caiu no ostracismo por estar longe da elite do futebol carioca desde 1985.

Passados 22 anos do fatídico rebaixamento, o empresário Jaider Moreira pretende reeditar a história do time que ficou conhecido por revelar o lateral Nelinho, ex-Cruzeiro e seleção brasileira. E ganhou fama internacional por ser o berço de Leônidas da Silva, o inventor da bicicleta. A meta do Bonsucesso é comemorar o retorno à Primeira Divisão do Rio até 2013, ano em que o clube comemora cem anos, e disputar a Série A, quem sabe, um pouco antes de acontecer a Copa do Mundo no Brasil.

- O que me motiva a sonhar tão alto é ver essa estrutura quase centenária do clube sendo recuperada aos poucos. Um espaço como este no centro de Bonsucesso merece um time de futebol à altura. Além de querer erguer um shopping junto ao Estádio Leônidas da Silva, minha missão é pôr o time na elite do Rio até o ano centenário - garante Jaider Moreira.

Para isso, o gestor de futebol do Bonsucesso aplica, há quase dois anos, R$ 40 mil por mês no clube rubro-anil, sendo que este valor pode chegar a R$ 60 mil durante a disputa da Segundona do Carioca. O clube também cumpre determinação da Ferj de que é preciso ter um time fixo de juniores para se competir profissionalmente. Com isso, 35 jogadores treinam, alimentam-se e alguns até dormem no "Barcelona do subúrbio carioca".


- Não conseguimos entrar na Timemania. E ainda não conquistamos o direito de disputar a Série C do Brasileirão. Porém, sinto que o clube melhorou em infra-estrutura desde que chegamos aqui, em 2006. A dívida do Bonsucesso gira em torno de R$ 3 milhões. Sei que com a ajuda dos 150 sócios não é possível pagá-la nem investir no futebol. Mas acredito que vamos revelar bons jogadores em breve. Quem sabe aparece um Ronaldinho Gaúcho? - brinca o empresário.


Jaider Moreira só sai do sério quando o assunto é a concorrência. Quer dizer, ao comentar o espaço conquistado pelos times bancados por prefeituras do interior em detrimento dos clubes tradicionais pequenos do Rio de Janeiro.

- Não que eu ache que os prefeitos estão errados. Mas nós da capital não recebemos ajuda alguma do (prefeito do Rio) César Maia. Eu poderia oferecer diversão a crianças carentes do Complexo do Alemão e em troca receber uma verba pública, só que isso não acontece. Aqui no Rio, pôr dinheiro em clube não dá voto.

Fonte : GLOBOESPORTE