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18/02/2026

ERICK SERPA, EX-ATACANTE DO BONSUCESSO, É PRESO NO ACRE ACUSADO DE ESTUPRO


O ex-atacante do Bonsucesso, Erick Serpa, atualmente no Vasco-AC, foi preso em flagrante no último sábado, acusado de estupro a duas mulheres dentro do alojamento do clube, em Rio Branco. O jogador teve a prisão convertida em preventiva após audiência de custódia no último domingo. Outros três jogadores também estavam envolvidos no episódio, se apresentaram à Polícia, e também tiveram a prisão temporária decretada: Matheus Silva, Brian Peixoto Henrique Iliziário e Alex Pires Júnior.

Ontem (17), Lekinho se apresentou à Delegacia de Flagrantes com o técnico do Vasco-AC, Eric Rodrigues e o advogado Robson Aguiar. De lá, ele foi encaminhado para a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM). Na saída, negou que tenha cometido crime.

"Eu tô aqui de livre e espontânea vontade, sei que não fiz nada de errado. Conversei com o Eric [treinador], mostrei tudo que tinha, tenho a mensagem da pessoa que, na verdade, nem me acusou, mas meu nome está sendo citado. Estou aqui para dar minha versão, estou à disposição da Justiça, porque sei que não fiz nada, não cometi nenhum tipo de crime, Deus é justo e vou provar isso na Justiça", disse Alex Pires, o Lekinho.

O advogado Robson Aguiar afirmou que pediu ao atleta para se apresentar e irá entregar novas provas que irão inocentar o cliente:

"Provaremos que o Alex não tem nenhum envolvimento com essa situação. Disse que deveria se apresentar, cumprir um decisão judicial, levaremos as provas que a autoridade policial ainda não tem e, com toda certeza, haverá uma revogação dessa prisão", concluiu.

Os outros dois jogadores também se entregaram na última terça-feira e foram representados pelo advogado Atevaldo Santana, que já tinha dito ao G1 que os jogadores negam as acusações e afirmam que fizeram sexo consensual com as mulheres. Atevaldo ainda apontou as acusações como frágil.

"São réus primários, nunca responderam a nenhum processo criminal, são todos maiores de idade e não tem nada. São narrativas ficcionais criadas por essas pessoas que se dizem vítimas. Foram lá fazer programa. Uma delas postou no outro dia que, infelizmente, estava arrependida por não ter ido para o Carnaval do Tucumã. Ora, uma mulher que é estuprada no mínimo fica com problemas psicológicos, não fica no outro dia dizendo que vai pro Carnaval", disse.

O caso tinha sido registrado no sábado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM):

"Tomei conhecido do fato por volta das 17h quando fui ver outra situação. As vítimas conversaram com a policial pela manhã e revelaram dúvida se registravam ou não a ocorrência. Foram na maternidade, mas não voltaram para registraram a ocorrência. Encontramos elas na maternidade e orientei que a comunicação do crime fosse feita ali mesmo. Mas, estavam resistentes", confirmou o delegado Alcino Souza à imprensa local.

Como as mulheres não conseguiram registrar a queixa-crime pela manhã na DP, elas foram para a Maternidade Bárbara Heliodora, onde foram aconselhadas a registrar a ocorrência após atendimento médico, como apontou o delegado.

"Indicaram os nomes, o local que poderiam estar, que é o alojamento, eu reuni uma equipe e fomos até o local. É uma casa bem grande, onde ficam vários jogadores, e lá conduzi o Erick Serpa para a delegacia. Os outros não estavam", destacou o delegado.

Segundo informações obtidas pela polícia, as duas mulheres foram ao alojamento de forma consensual se relacionar com os atletas, mas foram submetidas a abuso posteriormente.

"Depois de estarem lá, o que aconteceu não foi da maneira que elas queriam. É aquilo, você só vai até o ponto em que ambos querem. Então, foi nesse contexto a situação", resumiu o delegado ao G1.

Na chegada da Polícia Civil ao alojamento, apenas o atacante Erick Serpa estava no local e foi encaminhado para a delegacia. Após a troca de plantão, o caso foi para as mãos da delegada Michelle Boscaro, que decretou a prisão do jogador. A conta oficial do atleta nas redes sociais está suspensa.

O Vasco-AC não permite a visita de terceiros no alojamento e segundo o técnico Eric Rodrigues, uma terceira mulher também esteve presente no local. Nesta terça, o treinador disse que acredita na inocência dos atletas, mas que se forem culpados, vão ter que cumprir a pena.

"Eles são constantemente proibidos de levar mulheres e serão punidos duplamente pelo clube por essa ilegalidade e pelo suposto crime cometido contra as mulheres. Independente deles terem cometido o crime ou não, ocorreu uma transgressão do que o Vasco determina. A gente acredita na autoridade policial e na Justiça. Vão fazer o que tiver que ser feito. Quero deixar bem claro que, com o clube, eles erraram e não estamos aqui para passar a mão na cabeça, é terminantemente proibido acesso de qualquer pessoa ao alojamento, que não sejam dos alojados, principalmente de mulheres. Esses jogadores vieram para cá confiando em mim. Vocês não sabem o inferno que está sendo minha vida esses dias, tem mais de 20 alojados lá, familiares de todos desesperados e preocupados. Que possam se defender, provar a inocência. Se forem inocentes, que provem, se não forem, que paguem. Não estamos aqui para passar a mão na cabeça de quem estiver errado", afirmou Eric Rodrigues.

O Vasco-AC e a Secretaria de Estado da Mulher emitiram notas após o episódio de indisciplina dos jogadores e o caso de estupro no alojamento do clube. Confira abaixo:

"A Associação Desportiva Vasco da Gama (AC) tomou conhecimento de informações divulgadas publicamente indicando o envolvimento de atletas vinculados ao clube em ocorrência sob apuração pelas autoridades competentes.

Diante da seriedade do assunto, a instituição informa que adotou medidas administrativas internas para apuração dos fatos e permanece à disposição para colaborar integralmente com as autoridades.

O clube reafirma seu compromisso com a integridade, o respeito e a observância das normas, ressaltando que qualquer conclusão sobre responsabilidade depende da apuração oficial, com garantia do devido processo legal.

Ao mesmo tempo, a Associação esclarece que não compactua com qualquer forma de violência e adotará as medidas cabíveis, no âmbito interno, conforme o andamento das investigações.

Por respeito às pessoas envolvidas e ao curso das apurações, a Associação não fará comentários adicionais neste momento.

Atualizações serão divulgadas exclusivamente por canais oficiais."


"O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado da Mulher (Semulher), vem a público manifestar repúdio às declarações proferidas pelo treinador de futebol do clube Vasco da Gama-AC, em reportagens exibidas em programas de TV locais.

Durante sua fala, ao se posicionar sobre denúncias de estupro envolvendo atletas sob sua responsabilidade, o treinador desqualifica o trabalho técnico, ético e legal da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), ao insinuar suposta parcialidade na condução das investigações.

Colocar em dúvida a seriedade de profissionais da segurança pública é um desserviço à Justiça, enfraquece a confiança nas instituições e contribui para a perpetuação da impunidade em crimes de violência contra a mulher.

Causa especial preocupação, ainda, o conteúdo misógino e discriminatório presente nas declarações, ao atribuir às mulheres a responsabilidade por condutas praticadas por atletas adultos. Mulheres não são culpadas por violações de regras institucionais nem por crimes cometidos por terceiros. Cada pessoa responde por seus próprios atos, e qualquer tentativa de transferir essa responsabilidade às mulheres configura culpabilização da vítima.

É igualmente inaceitável a tentativa de minimizar a gravidade do crime de estupro. Consentimento não é permanente, nem automático. Ainda que tenha havido encontro ou intenção inicial de relação sexual, a ausência de consentimento em qualquer momento torna o ato criminoso. Sexo sem consentimento é estupro. Além disso, os relatos de tapas e puxões de cabelo mencionados nas falas caracterizam violência física, somando-se à violência sexual, o que eleva ainda mais a gravidade dos fatos.

A Secretaria de Estado da Mulher reforça que vem fazendo o acompanhamento das vítimas do caso em questão e reafirma que nenhuma forma de violência contra a mulher é tolerável, seja física, sexual, psicológica ou institucional.

Discursos que naturalizam, relativizam ou justificam esse tipo de violência reforçam estruturas de desigualdade, silenciam vítimas, incentivam crimes contras às mulheres e terminam por afastá-las da busca por justiça.

Por fim, o governo do Estado do Acre reitera seu compromisso com a proteção das mulheres, o respeito às vítimas, a valorização do trabalho das instituições públicas e a promoção de uma cultura de responsabilização, igualdade e respeito.

Márdhia El Shawwa
Secretária de Estado da Mulher"