quinta-feira, 5 de julho de 2012

"A CRÔNICA CRÍTICA DE UM RUBRO-ANIL" COM DÊRAUÊ


Juan Roman Riquelme, confesso (ele, não eu), deixou de ser o mesmo; não delirou quem jura ter visto o Boca entrar em campo de amarelo; a Fiel cumpriu seu papel e embalou o Timão; e o Emerson, definitivamente, tem uma macaca (http://renatomussum.tumblr.com/post/26536056750/boca-campeao-da-libertadores-2012-meus-parabens).

Dizem, porém, que fundamental foi mesmo a torcida do ilustre “doze meias” de Villar dos Teles, ministro Tacleberry. "Dale, Boca!" foi a saudação oficial durante o dia da final. Já não bastava ter usado a camisa personalizada da azurra na final da Eurocopa. Como o dele e dos italianos, azar dos xeneizes.
(No dialeto da Ligúria, noroeste da Itália, xeneizes são os genoveses tais quais os que, trabalhando no porto em Buenos Aires, fundaram a equipe dos bosteros.)

Demasiado seria para este coração, galego de criação, sentir-se campeão duas vezes em menos de cinco dias, ainda mais depois daquele quatro a zero lindo da Roja na Ucrânia. Não, este torcedor convicto do maior dos "pequenos", o intumescível Bonsucesso Futebol Clube, não está acostumado, poderia até desenvolver uma síncope, veja só.

Azar o nosso, o de se envolver e torcer por contendas alheias, à falta dum calendário organizado a partir das necessidades do futebol como expressão de um povo, antes dos interesses das emissoras de TV e dos patrocinadores. À falta dum calendário que permita a todos os clubes - em todos os níveis e divisões dos quais se compõe o planeta bola - correr atrás da pelota durante toda a temporada, sem que tudo pare só para os olhos vidrarem no tubo, no led, no LCD, sonhando ao sol do plim-plim tudo a ver.

Esse brilho, esse luxo, no limite, servem ao entorpecimento daquela vista cotidianamente treinada para reconhecer-se - e deleitar-se - com vitórias tão reais quanto fictícias. Pois tanto a euforia do autor do gol quanto o choro do vice são absurdamente palpáveis, seja na esquina, no estádio ou na TV. Mas por lá ficam. O amor, no entanto, parece uma teimosa semente que cisma germinar por entre as entranhas mais inóspitas, nutrindo-se das lágrimas brotadas por chãos de navalha em vez dos perdigotos de gargalhadas frívolas, e cresce entre ramos e rumos dos mais improváveis. E mesmo na derrota.

Se as vitórias nos apaziguam a tormenta d'alma e aliviam as vias aéreas, em vista dos ares vindouros; sucumbir significa mais redescobrir-se no que não se quer, afirmando-se pelo que se pretenda manter. A vitória do Corinthians, a saber, é muito mais representativa do infortúnio de um futebol nacional autenticamente popular - e, por isso, honrosamente brasileiro. Não porque desrespeite um "estilo" de jogar - estes se forjam e desmancham ao sabor das vagas de treinadores em eterna transição -, mas sim pelo resultado odioso de engrossar o feijão das pilantragens em série proporcionadas pelo conluio entre a entidade (de segurança) máxima CBF com a FIFA, seus suportes financeiros e ainda os braços midiáticos.
(Ganhasse o Boca, poder-se-ia dizer o mesmo, só que em relação ao Futebol argentino).

As siglas, por sua vez, são apenas meios mais longos de se desvendar identidades; estas, as que operam e professam cotidianamente a política, a razão e as paixões do mercado. De José "das Medalhas" Marin, o ser que substituiu don Ricardo Teixeira, ao presidente do Ipicuí do Sul Atlético Clube; a qualquer um pode servir a carapuça. Entre a vala a céu aberto e a obra superfaturada de saneamento, a diferença pode estar no furo do ralo. Ou seria na totalidade do sistema de esgoto?

Há, contudo, os que resistem. Centenas de torcedores se encontraram no Obelisco da capital portenha ao embalo de “Aunque ganes, aunque pierdas, no me importa: yo te llevo dentro de mi corazón”. Camisa dez convicto e capitão honrado, Roman avisou que vai parar, pediu para parar, parou. O vazio declarado entre lágrimas pelo craque se instala no sentimiento boquense sem bater à porta. Riquelme se aposenta de maneira honrada, reafirmando-se bostero de nacimiento. Combatente incansável, embora já ofegante, sabe: sua marca só em muito tempo poderá ser batida, a do jogador que, sozinho, conquistou mais Libertadores do que o Curíntia e todos os clubes cariocas juntos.
Contando até o Bonsucesso.

+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+

E falando em Praça das Nações...

O Fanáticos deu em primeira mão (http://fanaticospelocesso.blogspot.com.br/2012/07/dois-meses-antes-de-comecar-federacao.html); o colunista Herman já repercutiu (http://fanaticospelocesso.blogspot.com.br/2012/07/analise-da-semana-com-herman-rubro-anil.html); mas não é demais fazer coro: se deus quiser e a Federação de Futebol permitir, o Leão da Leopoldina voltará a rugir na Teixeira de Castro a partir do próximo dia primeiro de setembro, pela Copa Rio de 2012. Como adversário, ninguém menos do que o arquirrival alvi-anil da rua Bariri.

O clássico leopoldinense consta na história como o décimo quinto maior público do Campeonato Carioca de Futebol. Numa quarta, feriado do trabalhador de 1968, 155.098 pessoas testemunharam o rubro-anil bater o Olá por um a zero na preliminar de Vasco X Flamengo, partidas válida pela última rodada do primeiro turno. Os olarienses, penúltimos no grupo B, não se classificaram, mas o Bonsuça garantiu o quarto em seu reunido (que contava ainda com Botafogo, Flamengo, América, Campo Grande e Portuguesa, nesta ordem de classificação) seguindo à segunda etapa.

No último confronto, havido passado sábado de carnaval, pelo encerramento do primeiro turno do carioca 2012, tinha mando de campo do Olaria. A torcida – em sua maioria, rubro-anil – teve de se contentar com um empate simples, esperando até os 38 minutos do segundo tempo pela chegada do gol; e o primeiro ainda foi do time da casa. Naquela ocasião, estreava o técnico Marcão (ex-volante do Fluminense) no comando da equipe da Teixeira de Castro, algumas rodadas após sua demissão do Bangu, o pior colocado na Taça Guanabara.

O negócio é torcer para que, desta vez, a banda toque diferente.



Nenhum comentário: